Correio do Brasil
Por Redação - de Brasília
Em até 15 dias, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) conclui o processo de criação do estatuto e registro do Conselho Gestor do Instituto Brasileiro de Algodão. O conselho está sendo criado pela Abrapa, com recursos do governo americano, como prevê o acordo bilateral que suspende a retaliação do Brasil aos Estados Unidos. A retaliação foi autorizada ao Brasil, no ano passado, pela Organização Mundial do Comércio (OMC), em função dos subsídios ao algodão praticados pelo governo norte-americano.
O governo dos Estados Unidos não terá ingerência no instituto, mas fará o acompanhamento das atividades autorizadas. A primeira parcela dos US$ 147 milhões, da ordem de US$ 30 milhões, prevista no memorando de entendimento, deverá ser repassada tão logo a Abrapa abra uma conta bancária nos Estados Unidos para o fundo. Os repasses serão feitos mensalmente, até esgotar a verba programada. Segundo o presidente da Abrapa, Haroldo Cunha, “o restante só vai acontecer se houver um acordo entre o Brasil e os Estados Unidos em relação a esses programas, que é o que está sendo discutido agora”. Nas últimas reuniões, ocorridas este mês, em Washington e Genebra, não houve uma proposta clara dos norte-americanos, explicou.
– Se nada acontecer, no dia 22 de junho a retaliação volta automaticamente. Evitar isso é objetivo dos dois governos. A retaliação não é vantagem para ninguém – disse.
Haroldo Cunha acrescentou que o programa de subsídio à exportação dos Estados Unidos afeta nove commodities, entre as quais o milho, soja e trigo, além do algodão. Informou, ainda que, em relação ao Instituto Brasileiro de Algodão, esse fundo poderá, depois de encerrado o repasse dos US$ 147 milhões, ser retroalimentado a partir de investimentos em infraestrutura realizados pelo setor produtor de algodão nacional.
– Essa é a nossa ideia: encontrar alternativas para retroalimentar (o fundo) e estar sempre trabalhando – afirmou.
Segundo o presidente da Abrapa, o fato de a OMC ter criado a possibilidade de retaliação cruzada, que permite ao Brasil quebrar patentes nas áreas de informática, produtos farmacêuticos e biotecnologia, entre outros, é muito sensível para os americanos e fez com que esses setores pressionassem o Congresso a discutir a necessidade de ajustes nos programas de subsídios.