Barbárie ou O Que? Sobre o Futuro da Espécie Humana no Século XXI

O Debate está aberto...


2,8 bilhões de pessoas da população mundial precisam sobreviver diariamente com menos do que US$ 2;


US$ 2,84 é o valor diário quesubvenciona cada vaca européia;


US$ 78 bilhões estão sendo disponibilizados pelos países do Norte e de instituições da cooperação internacional para programas de apoio ao desenvolvimento nos países do Sul;


US$ 116 bilhões os países do Sul pagam anualmente para os credores do Norte;


200 espécies vegetais e animais estão sendo destruídas, diariamente, de maneira definitiva;


2.7 ha é o tamanho da pegada ecológica média da população que está superando por 30% a capacidade reprodutiva dos ecossistemas deste planeta;


6,5 ha é o tamanho da pegada ecológica média dos homens e mulheres do hemisfério Norte (!).


Cabe acrescentar a estes dados que, apesar dos gigantescos recursos financeiros, disponibilizados pelo governo Obama nos Estados Unidos, no intuito de neutralizar os efeitos nefastos do “capitalismo de cassino” que tomou conta do mundo por longos anos, hoje, diagnósticos sobre a superação da atual depressão econômica internacional são tão seguros como previsões meteorológicas para o dia da festa do final do ano. A única certeza que temos, diante do quadro de crise, é que as desigualdades sociais entre o Norte e o Sul, e dentro dos países em ambos os hemisférios, estão se aprofundando. Por outro lado, é importante lembrar que o combate contra as vigentes tendências da polarização sócio-ambiental em nível (inter)nacional precisa ser realizado dentro de um espaço ambiental que desde “o longo século XVI”(F. Braudel) foi excessivamente explorado pelos países do Norte e, certamente, não suportaria a universalização dos estilos de vida do mundo ocidental. Vale ilustrar isto através do seguinte cálculo: segundo os especialistas que estudam o efeito estufa, sumidouros naturais como os oceanos e a biomassa terrestre são capazes de absorver anualmente 13 bilhões de toneladas de CO2. Se este valor for aceito como barreira natural que não pode ser ultrapassada, cada um dos 6,6 bilhões de habitantes (dado de 2007) da nossa, assim chamada, vila global, poderia emitir 2 toneladas do gás carbônico. Entretanto, se levarmos em conta que a população da Europa e dos Estados Unidos já chegou a emissões anuais médias que variam entre 13 e 20 toneladas de CO2, não pode haver dúvida de que a globalização do american/european way of life levaria o nosso planeta à beira de um colapso ambiental. No entanto, este raciocínio tão simples e altamente convincente pouco influencia as políticas internacionais. No Norte, o futuro se apresenta como prorrogação do presente e no Sul, grosso modo, o Norte continua sendo o referencial- mor das políticas desenvolvimentistas; mesmo considerando que todas elas, independente de sua matiz ideológica, tenham se revelado como um cheque sem fundo para a maioria da população. Diante deste quadro, a necessidade de intensificar a discussão sobre modelos, experiências e perspectivas de desenvolvimento está se tornando um imperativo categórico. Sobretudo na Amazônia, centro mundial da biodiversidade e, ao mesmo tempo, periferia da periferia latino-americana, em termos políticos e econômicos. Partimos do princípio de que a superação desta contradição encontra o seu ponto de partida na invenção, e implementação, de uma civilização tropical adaptada às condições específicas da Região.

Assim, o debate está aberto ...

(1) A pegada ecológica (“ecological footstep”, em inglês) indica a quantidade dos insumos que cada ser humano demanda da biosfera.

 

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